The Fall #1

     



     Chovia imenso. Estava toda encharcada às voltas no parque de estacionamento a tentar encontrar o meu carro. Quando o finalmente encontrei fiquei chateada por o ter molhado. Ainda no outro dia o tinha limpado, e ele ficou num brinquinho. Pois bem, ficou. Quando finalmente estava a ligá-lo parar ir directa a casa, descansar e dormir, uma luz enorme quase me cega os olhos. A luz era forte, mesmo forte. Não eram os faróis dum carro, nem uma lanterna gigante e certamente não era o sol. Estava de noite, plena noite. Que estranho, pensei. Passou pela minha cabeça ir ver o que era, passou pela minha cabeça apenas ligar o carro e ir para casa, mas a minha curiosidade falava mais alto. Afinal, o que poderia ser de mal? Saí do carro, fui em direção ao local onde a luz se alastrou e apagou e não vi nada. Procurei por entre os carros e nem sinal de nada nem ninguém. Quando me dirigia para o carro, ouvi um barulho, virei-me e vi um vulto negro a mexer-se. Era certamente uma pessoa, um homem. Comecei a andar rápido para o meu carro, fiquei com medo. Podia ser um assassino, um ladrão, um pedófilo... 
- Espera, por favor. Não quero fazer mal - uma voz fraca se pronunciou.
     Parei ali. Não consegui andar mais. Não sei porquê. O tal homem aproximava-se cada vez mais de mim, tinha cada vez mais arrepios e medo, não sabia o que fazer. Finalmente ele chegou perto o suficiente para conseguir ver o seu corpo com a apenas calças de ganga vestidas. No entanto, com aquela chuva toda, não tremia de frio. Aliás, parecia-me suado. De alguma maneira a chuva nem lhe fazia efeito, o seu cabelo estava seco. Completamente seco. 
- Por favor ajuda-me - pediu-me aflito. 
      Fui para perto dele, ele agarrou-se a mim como se fosse um suporte para se manter em pé.
      Era o homem mais bonito que alguma vez vira. Tinha um corpo e um rosto que pareciam ter sido esculpidos e emanava um calor abrasador. Os seus olhos eram castanhos avelã, o cabelo meio ruivo meio castanho e a sua pele dum tom dourado magnífico. O seu corpo perfeitamente em forma. Porém, ele estava completamente ferido. Sangrava dum braço e tinha feridas pela cara e pelo peito. O que será que lhe aconteceu? Pela forma como estava a sofrer, tinha de certeza uma ferida interna.
- Vou levar-te ao hospital - disse-lhe enquanto o colocava confortável no carro. 
      Nem me respondeu. Calculei que as dores falassem mais alto e que não teria energia para tudo. 
Quando lá chegámos fui logo atendido. Foi tudo normal até que o estranho aconteceu. Quando a enfermeira foi perguntar o nome dele, para registos médicos, ele disse que se chamava Sol. Mas quem é que tem um nome desses? Teria ele batido com a cabeça? Porém, a marca que tinha no peito era mesmo o símbolo da Estrela Sol.
- Chamo-me Sol e sou a estrela mais importante neste sistema. Eu e outra estrela, doutra galáxia declarámos guerra. Eu perdi. Caí na Terra em forma de humano para não matar este planeta e tu Luna, estás destinada a salvar-me. Estás destinada a ajudar-me a levantar-me. 
- Tenho a certeza agora que bateste com a cabeça. Enfermeira!
- Achas que a marca da Lua que tens atrás do pescoço é coincidência? És tu Luna, a forma humana da Lua. Tu sabes disso melhor que ninguém, eu tenho consciência disso. Chega de jogos - disse ele, num tom sério e dominante. 
      Sol tinha razão, eu sei o meu destino. Sei perfeitamente quem eu sou e do que estou destinada. Eu sou a forma humana da Lua. Eu, Luna Brown, tenho de ajudar Sol a voltar a brilhar no nosso sistema e ajudá-lo a derrotar esta estrela inimiga. Mesmo que custe a minha vida, é esse o meu dever.
      Eu fitei tais olhos ambarinos, pronta para abandonar a minha vida normal.
- Conta comigo.

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