The Memories #3

      



     Levei, depois de comer, um tabuleiro com o prato específico para Sol. Nem me atrevi a perguntar o que era, tinha um aspecto tão esquisito e fiz logo má cara. Cheirava a um típico prato indiano, cheio de especiarias, algo que ele não devia comer nestas condições. Mas não dei a minha opinião. 
- Sol? Estás acordado? Trouxe-te comida - disse baixinho. 
- Luna?  
- Sim, Sol, sou eu. Trouxe-te o jantar. 
- Ah, obrigado. Podes colocar aí ao lado, se não te importares? - perguntou-me gentilmente.
- Claro...Olha, queres que traga mais alguma coisa, hm, vais dormir já? - perguntei super atrapalhada.
- Eu sei o que queres saber, senta-te. 
- Mas tu e a avó têm de parar de me ler a mente, a sério. 
- Desculpa - riu-se - é o hábito. 
- Mas então, explica-me.
- Eu e a tua avó é apenas amizade, nunca se passou nada entre nós. Aliás, devias perguntar-lhe quem é lhe ocupava o coração quando apareci. Sabias que ajudei-a muito em relação a ele? 
- Espera, o quê? Mas o que se passa aqui? - parecia tão desorientada que até fiquei tonta.
- Calma Luna, não foi nada de mais. Já passou, mas se queres mesmo saber, pergunta-lhe. Não te custa nada. Se não perguntares sabes perfeitamente que ela te lê a mente. 
- Tenho mesmo que treinar essa coisa da barreira. 
       Riu-se. 
- Estás a rir do quê mesmo? - perguntei atrevida e sem paciência. 
- Soas tão nova para os teus 21 anos. 
- Olha quem fala. 
- E já agora, feliz aniversário. 
- Obrigada. Precisas de mais alguma coisa? - fez não com a cabeça. - Então pronto, vou dormir. Se precisares de algo grita ou assim, boa noite. 
- Bons sonhos, Luna. 
      Apesar de me ter desejado bons sonhos, o que ficou na minha cabeça foi ele ter me ter chamado de criança indirectamente. Se calhar estou a exagerar. Foram umas horas muito confusas. 
- Vó! Onde estás? - gritei pela casa.
- Que foi Luna? 
- Vou dormir, boa noite - dei-lhe um beijo na bochecha. 
- Boa noite querida - a avó retribuiu-me o beijo e foi para a cozinha. 
       Fui tomar um duche rápido, vestir-me e secar o cabelo.





- Os meus olhos cada vez clareiam mais - reparei em voz alta, arregalando os olhos no espelho.
      A cor azul dos meus olhos, diz a minha avó e pelas fotografias, eram dum azul escuro muito escuro. Quase nem se distinguiam a pupila da íris. Desde que completei 4 anos que os meus olhos clareiam cada vez mais. Agora estão num azul claro esbranquiçado. Sempre adorei os meus olhos, com a cor clara ou escura. A avó diz que tem a ver com os meus poderes com a Lua, assim como a cor do meu cabelo. Um preto como a cor do céu que a envolve e comprido como o mesmo. A avó sempre estimou o meu cabelo longo, acho que ela sempre adorou, fazia-a lembrar da minha mãe. Nunca a conheci. A avó disse que ela morreu durante o parto e que a última coisa que disse foi "Diz à Luna que ela é muito amada por mim, sempre será". Apesar de nunca a ter conhecido acho que, independentemente de tudo, amamos a nossa mãe. É algo que já nasce connosco. E eu amo-a muito e quando puder vou estar com ela sempre. 
      Enfim, é melhor ir-me deitar...Já ando a pensar no que não devo.






      Oh merda, estou atrasada! Vesti-me o mais rápido que pude e fui em direção à cozinha buscar um pão e um sumo qualquer. 
- Onde pensas que vais Luna? - ralhou a minha avó.
- Trabalhar, para onde havia de ser? 
- Na na na, tu agora tens outro trabalho. 
- Han? Como assim avó? - suspirei - A sério, estou mesmo atrasada.
- Luna, pára por um segundo e ouve-me! - Ela fez-me aquele olhar e sentei-me logo - Tu não vais trabalhar mais. Temos que treinar os teus poderes. 
- Avó, o dinheiro não cai do céu - refilei. 
- Isso não é problema para nós, tu sabes disso. Para além disso, já tratei de tudo no escritório.
      Apesar de querer exaltar-me e dizer-lhe para não se meter nas minhas coisas, sabia que não ia resultar em nada e iria acabar no mesmo sítio onde estou.
- Okay, mas eu ainda preciso do meu dinheiro. Ainda preciso de sapatos. 
- Podes parar com brincadeiras? Estamos a falar do Universo, Luna. Tens que estar preparada, e agora que completaste os 21 anos os teus poderes estão no auge. Temos que aproveitar a energia deles e treinar-te. 
- Pronto. Está bem. Mas não acordo mais cedo que 10 da manhã. 
- Oito e meia.
- Nove e cinquenta. 
- Nove.
- Nove e meia. 
- Feito - desistiu ela. 
      A avó fez panquecas e eu estava a devorar aquilo que nem um monstro. Como é óbvio o Sol apareceu nesse momento e tinha de comentar a minha figura. 
- Calma Luna, ainda te engasgas! - riu-se ele. 
- Cala-te Sol. 
- Não a irrites, Sol. Come em paz, vá - disse a minha avó numa tentativa de fazer com nem começássemos uma discussão. 
- Pronto, desculpa Luna. 
- Está bem. 
      Ainda era de manhã e Sol já estava a irritar-me. E por falar nisso, ele não sabe o que é roupa? Aparece pela casa apenas de calças, e onde está a t-shirt e isso? Não existe? Sinceramente. Nem abri a boca para falar nada, já sabia que ia causar mau ambiente e decidi guardar isso para mim mesma.

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