The One #8

      



     Tentei manter a calma quando Mercúrio entrou na sala. Graças a Deus que ele não pode ler-me a mente. 
- Bom dia Mercúrio - sorri. 
- Bom dia Luna, dormiste bem? 
- Sim, e tu? 
- Optimamente. Então e tu Mondy? 
- Oh sim querido, dormi bem obrigada - sorriu. O tom de voz da avó não parecia nada genuíno. - Panquecas, waffles ou ovos? 
- Ovos - disse eu e Mercúrio ao mesmo tempo. Rimos. 
- Qual o motivo de tanto riso por aqui? - disse Sol a sorrir e a abraçar-me por trás. 
     Naquele momento consegui reparar que os olhos de Mercúrio e da avó estavam postos em nós. Rapidamente senti a minha cara a corar e a mente a bloquear. O que me acalmou foi o beijo doce e reconfortante de Sol na minha bochecha que trazia calma e calor para mim. Ele sentiu-me. Ele sabia da nossa Ligação e por isso fez o que fez. Apesar de Sol adorar a nossa relação, sabia que isto era um passo enorme para mim. E estava disposto a ir com calma, eu sentia. 
- Bom dia Sol - sorri-lhe. 
- Bom dia Luna - disse a sorrir para mim - Bom dia Mercúrio, Mondy - sorriu para eles.  
      Retribuíram o bom dia e Mercúrio olhou para nós confuso, curioso e interessado em saber tudo o que se passava entre nós. Já a avó olhava-nos com um ar de casamenteira, carinhoso e um olhar típico de avós quando acontece algo que elas sempre queriam que acontecesse.  
      Sol sentou-se connosco para tomar o pequeno almoço. O ambiente foi meio estranho à mesa, por parte de Mercúrio. 
      Depois de comermos fiquei a ajudar a avó com os pratos e Sol e Mercúrio foram falar para o jardim.
- O que será que eles foram falar? - perguntei à avó. 
- Li Mercúrio e ele pareceu-me ciumento - confessou a avó. 
- Mas na outra noite falámos tão bem, não havia nada de romance avó - retorqui. 
- Luna, para eles não é assim que funciona. 
- Então como é? De certeza que não é amor à primeira vista, isso não existe avó. 
- Por acaso... Para eles e para nós, existe. 
- O quê? Como assim? 
- Luna, a forma humana deles nunca muda. Eles já viveram séculos, milhares e milhões de anos. Eles podem ter uma paixoneta ou outra, mas se encontrarem a rapariga certa, ao primeiro olhar ele fica conquistado. Acontece o mesmo connosco. Faz parte do nosso mundo.
      Fiquei alguns momentos em silêncio, tentando compreender o que a avó explicara. Depois, o meu impulso e o meu coração falaram mais alto.
- E se for apenas uma paixoneta de Sol?  
- Oh querida não me parece. 
- Porque dizes isso? Posso muito bem ser. 
      Ela largou o que estava a fazer e colocou as suas preciosas mãos na minha cara
- Ouve querida, uma avó sabe. E para além disso li-lhe a mente. 
- Oh - sorri -, obrigada avó. 
- Por falar no diabo - riu. 
- Estavam a falar de mim? Espero que tenha sido por bem - disse Sol - Luna. 
- Sim? 
- Mercúrio quer falar contigo, ele está à espera no jardim. 
- Mas passasse alguma coisa? 
- Não é nada, quer apenas falar. 
- Hum está bem, avó não me demoro. 
- Deixa Luna, eu ajudo-a - sorriu. 
- Obrigada Sol - sorri de volta. 
      Fui para o jardim tentando imaginar os possíveis assuntos que Mercúrio quereria falar comigo, mas nenhum se destacou. Só espero que não seja nada de mais. 
- Querias falar comigo? 
- Sim Luna, senta-te - pediu.  
     Sentei-me no sofá do alpendre com ele em pé à minha frente, apenas apoiado na cerca que havia no alpendre. Ainda sem camisola ou t-shirt vestida, Mercúrio só estava de calças de ganga. Assim como Sol. Apenas vestido com calças.
- Queria falar contigo sobre Sol.
- Eu sei, eu sei. Só nos conhecemos à uma semana ou assim e já tanta coisa se passou. Eu sei, é doido. Eu própria admito, mas com ele é diferente... Percebes? - disse. Reparei que o tinha aborrecido com o meu falatório e deixei-o falar - Oh desculpa, fala Mercúrio. 
- Pensei que me contarias - confessou. 
- Nem eu própria sabia que isto se ia passar Mercúrio. E Sol e eu nem estamos propriamente juntos. Nós ainda nem falámos sobre isto - expliquei. 
- Eu sei Luna, mas na noite passada pareceu-me que criámos um laço de confiança... Parece que só a mim é que pareceu - falou triste. 
      Mercúrio não tinha ciúmes românticos da minha relação com Sol. Mercúrio queria só a minha confiança e a minha segurança. Nada mais. E algo no seu olhar mostrava que o seu coração já estava ocupado por alguém. 
      Levantei-me e fui abraçá-lo. Tive de colocar-me em bicos de pés porque ele devia alcançar mais de um metro e noventa.
- Eu confio em ti - disse. 
- Sempre? 
- Sempre - sorri para aqueles olhos avermelhados. 
- Agora conta-me, o que se passa entre ti e Sol? - soltou um sorriso atrevido. 
- Nem eu sei para falar a verdade. Beijámos-nos e ele de repente comporta-se como se tivéssemos casado.  
- Hum, deves ser a Tal dele então. 
- Mercúrio, não brinques com coisas sérias - refilei. 
- Não estou. Eu quando me apaixonei a sério, pela minha Tal, eu comportei-me da mesma maneira - contou enquanto nos sentávamos no sofá. 
- Ela era bonita? 
- A mais bonita, Luna. Mas não podíamos ficar juntos para sempre. Não podemos - reformulou.
- Porquê? O que aconteceu? 
- Ela tinha uma missão a cumprir, e não havia espaço para um amor durante essa missão. 
- Mas uma missão tem de acabar não é? Então porque não ficaram juntos nessa altura? 
- Nós ficámos mas lentamente, o tempo tornou-se nosso inimigo. Eu não posso ficar muito tempo sem me Materializar, nenhum Planeta pode.
- Sinto muito - toquei-lhe no braço. 
- Mas já passou - sorriu.  
- Podes dizer-me quem era? Fiquei curiosa - confessei. 
       Mercúrio hesitou. 
- Vá lá, podes contar-me - sorri. 
- A tua avó Luna. Mondy Brown é a minha Tal. 

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