The Mistery #18

- De onde foste buscar esse nome? - questionou avó. 
- Porquê? Não gostas? 
      Fez cara de nojo e abanou a cabeça.
- Puf. Também não tens de gostar. O gato é meu.
      Levantei-me e levei Persifal na sua caminha para o meu quarto. 
     Estava a morrer de fome. Saí do quarto sem fazer o mínimo de barulho para não acordar o pequeno e fui em direção à cozinha. Não queria apenas lanchar uma sandes. Eram ainda cinco da tarde mas queria jantar já. Eu estava mesmo com imensa fome. 
Comecei a cozinhar massa, fettuccine, carne e preparei o molho. A avó ouvi-me na cozinha e veio ao meu encontro. 
- Já vi que estás com fome - gozou. 
- É - respondi com uma colher na boca.
      Estava a petiscar a carne o molho enquanto cozinhavam.
- Eu e o Mercúrio vamos ao café, já voltamos está bem? 
- Sim. Mas avisa-o para vestir uma camisola não é - disse.
- Claro Luna, ele não ia naqueles modos para um café.  
- Nunca se sabe! 
- Vá, acaba lá o teu jantar. 
- Beijinhos. Traz-me dois pastéis de nata e um Kinder Bueno! - gritei antes de eles saírem.   
      Rezei para que eles tivessem ouvido. Queria mesmo um kinder bueno e dois pastéis de nata após comer a massa. 
       Acabei o meu jantar e levei um tabuleiro com a massa e sumo para o quarto. 
      Entrei no quarto e pousei o tabuleiro na cama e quando dei por mim Persifal não estava na sua cama.  
- Oh não, Persifal? Onde estás?  
     Procurei debaixo da cama, debaixo do armário e dentro dele. Procurei entre as mesas de cabeceira e o toucador, e nada. Mas faltava-me a casa de banho; Persifal estava enrolado nas toalhas que eu deixara no chão a dormir tranquilamente como se nada fosse. Não queria acordá-lo, mas tinha de levá-lo para a sua cama. Ele não vai dormir em toalhas a vida inteira e daqui a nada ele acorda de vez cheio de fome e preciso de ter atenção a isso, com ele perto de mim.  
     Comecei a jantar com a televisão ligada e estava a dar um filme; Um que já deu na televisão milhares de vezes mas que nunca vamos saber o nome. 
     Quando acabei de comer e o filme estava quase no fim, Persifal acorda de vez e começa a miar desgraçadamente. Logo imaginei que fosse de fome ou que precisasse de fazer as suas necessidades. No entanto não era uma coisa nem outra. Ele estava a miar daquela maneira para receber miminhos, sim, mimos.  Se parasse de fazer festinhas ele miava e não parava até ter o que ele queria. Estou a ver que este pequenote tem uma personalidade de gigante.  
      Ouvi um barulho lá em baixo. 
- Deve ser a avó com os meus pastéis de nata e o meu kinder bueno - sorri que nem um bebé - AVÓ - gritei. 
- Sim Luna? 
- Os meus pastéis? O meu kinder bueno? 
- Quais pastéis? O que é um kinder bueno? 
- Não gozes por favor, diz-me onde estão - sorri esperançosa. 
- Não tenho nada Luna, podes ver - disse. 
      Ela não tinha realmente nada. Nem um saco. 
- Opá, queria mesmo pastéis de nata e um kinder bueno.
      Ia a subir as escadas quando o cheiro a pastéis de nata invadiram a sala.  
- Alguém pediu pastéis de nata e um kinder bueno? - disse Mercúrio a segurar no saco bem alto. 
- DÁ CÁ - gritei a tentar chegar à altura do saco. Mercúrio era super alto. 
- Pronto - e colocou o saco na minha cabeça. 
- Se os deixasse cair ias buscar outros. 
- Eras tu que me ias obrigar? - riu-se enquanto se sentava no sofá. 
- Cala-te. Sou mais forte que tu - ameacei. 
- UI - riu-se mais. 
     Fui-me embora da sala e fui comer para o quarto. Persifal tinha adormecido outra vez e eu adormeci com ele.



1 semana mais tarde 




     Estava no treino com a avó. Mercúrio estava na sala a ver televisão. Persifal algures pela casa tentando habituar-se aos cantos.
- Tens de melhorar os teus movimentos com os braços Luna - disse avó no final dos treinos.
- Sim, vou treinar isso - retorqui.

- Mercúrio! Onde está Persifal? - perguntei enquanto entrava na sala.
      Mercúrio estava a dormir que nem um bebé.
- Deixa-o estar - disse avó.
      Fui para o quarto à procura de Persifal e ele não estava lá. Fui ao quarto de Mercúrio, avó e até ao quarto de Sol e nada. Procurei nas casas de banho e na cozinha - ele não estava em lado nenhum. Fui ver se ele estava na sala algures escondido e nada.
- Avó? As portas estavam abertas?
- Sim, acho que a porta da entrada estava meio aberta - respondeu - mas porquê?
- O Persifal desapareceu.
     Com isto fui a correr para a rua procurá-lo. Chamava por ele que nem uma doida e nada. Nem um miar. A sorte é a estrada ainda estar um pouco longe de casa mas ainda assim.
- Persifal! Persifal! - chamei.
     Estava a perder a esperança quando vi um homem com Persifal nos braços. Quase comecei a chorar de felicidade.
- Oh Persifal - fui a correr para o homem e agarrei em Persifal.
- Bem, parece que encontrámos o teu dono - e deu uma festinha no gato - ou melhor, dona - e sorriu para mim.
- Obrigada por ter ficado com ele! Não o podia perder também - confessei.
- O prazer foi meu - sorriu.
     Senti-me na obrigação de convidá-lo a ir lá a casa nem que seja para tomar um café. Ele encontrou o meu pequenino, merecia alguma recompensa.
- Não quer ir tomar um café em minha casa? Como forma de agradecimento.
     O seu olhar azul esverdeado guardava segredos e mistério e assim se manteve, misterioso.
- Talvez noutro dia. Tenho a certeza que nos iremos encontrar de novo - sorriu mais um vez e caminhou na direção oposta à minha.
     O seu mistério cativou-me e surpreendeu-me, no entanto, não estava propriamente à procura de um namorado ou de um amor quando o anterior tinha corrido pior do que eu alguma vez imaginara. Portanto dispenso qualquer ser que produza testosterona.

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