The Past Present #38



Vénus 


     Perceber o que iria na mente de Luna parecia-lhe ser algo impossível. 
     Assim que ela voltou do seu quarto, depois de ter conversado com Plutão, com Sol agarrado a ela, que não dissera nada a não ser "Obrigada por teres tomado conta da avó, Vénus" e um  sorriso tímido e estranho. Quer dizer, só isso? Vénus esperava mais de Luna. Ela que é tão amável e vê o bem nos outros apenas lhe disse obrigada. Vénus não esperava uma festa, mas também alguma consideração não ficava nada mal.  Mas tudo bem - É melhor que nada - pensou. A Luna, agora, para si, não era prioridade: Mondy era... e Tema.
     Tema. 
     Vénus já não estava assim tão chateada com ele, mas estava. O que ele fez não tinha qualquer sentido nem porquê. Ele nem devia ter vindo à casa da Mondy; não devia ter deixado Vénus sozinha à espera dele na casa nova dos dois, cheia de preocupação, para afinal ir magoar a Mondy. Logo a Mondy.
     Soltou um suspiro e levantou-se. 
- Volto já. Se ela acordar, podem-me chamar se não estiver presente? 
- Sim, Vénus. Podes ir descansada - Sol respondeu-lhe.
     Luna continuou focada na sua avó. 
     Antes de se ir embora, Vénus deu uma última olhada na Luna. Ela lembrava-a da Mel. Tinham muitas parecenças - como a teimosia e o sorriso -, mas também tinham muitas coisas diferentes. Curvou os lábios rapidamente e caminhou para o jardim. Os raios de Sol brilhavam fortemente. Vénus decidiu sentar-se por baixo do enorme salgueiro e deixou-se estar assim durante muito tempo.       O sossego do jardim agradava-lhe. Estar um pouco sozinha fazia-lhe bem. O ar fresco que a rodeava limpava um pouco da alma pesada que ela carregava. Então lembrou-se de Tema.
- Ele não podia ter feito isto... - falou baixinho.
      Mas fez. E o pior é que ela não consigo ficar zangada com ele durante muito mais tempo. Ele mudou-me - Vénus pensou. E foi então que se apercebeu mesmo que tinha mudado: sentia mais compaixão pelos outros e queria essa compaixão retribuída. Vénus não sabia esta mudança era para melhor ou pior.
      Com a luz a bater-lhe na cara rapidamente deixou os seus olhos fecharem e cederem à luz. Não se importou. A brisa era agradável e cheirava a flores. Vénus respirou o ar à sua volta e sentiu o cansaço a pesar-lhe nos ombros e assim os seus olhos se fecharam por algumas horas num sono acolhedor e cheio de sonhos.



Plutão



- Pára de andar. 
- Não consigo. Queres que faça o quê? 
- Que pares. Pareces um robô, Mercúrio. 
- Deixa-me estar. 
      Plutão levantou-se da cama de Mercúrio e agarrou nos ombros dele.
- Ouve-me bem, Mercúrio: andar não te vai resolver nada e tu tens de estar bem para a Mondy e para a Luna. Portanto vê se atinas. E para de andar de um lado para o outro que estás mesmo a conseguir irritar-me. - Plutão largou-o.
      Mercúrio suspirou. Ele sabia que Plutão tinha razão e de certeza que não queria voltar a vê-lo irritado depois do último incidente.
- Tudo bem, mas agora podes parar de olhar assim para mim?
- O quê? Não gostas do meu olhar sedutor? - Plutão soltou uma careta e Mercúrio riu-se. Deu-lhe um toque rápido no ombro e disse:
- Acho que devias guardar o olhar sedutor para outra altura.
     Ainda a rir, Mercúrio saiu do quarto. Plutão soltou-lhe um sorriso e foi-se deitar na sua cama que ficava ao lado da do primeiro Planeta. Quando os seus olhos já não conseguiam vê-lo, mirou então uma fotografia dele e da Mel: estavam os dois perto da entrada da casa dela e os seus braços estavam à volta dos ombros de Plutão. Mel esboçava o sorriso mais feliz que alguma vez vira.
     Desde que ela lhe aparecera naquela noite que tudo se tornou um pouco mais fácil. Ele viu-a e conseguiu tocá-la, dar-lhe um beijo... E as memórias que tinha dela começavam a pairar na sua mente muito mais frequentemente de uma forma positiva, sem dor.
     Plutão esboçou um sorriso quando se lembrou do acampamento que fizera com Mel, Vénus, Mercúrio e Mondy. Passaram uma semana na floresta junto a um lago e apesar de Mondy e Vénus se recusarem a ir no início, todos se divertiram tanto e foi realmente uma das melhores semanas da vida dele. Aliás, Plutão também se recordou que, nessa viagem, ele pediu a Mel oficialmente em namoro. Ou pelo menos tentou porque enquanto fazia o pedido, Mercúrio não parava de olhar e mandar olhares de pai para eles do outro lado do lago. E  pedir-lhe em namoro não era algo que ele quisesse fazer com público.
     Plutão riu-se. Lembrou-se de que a Mel se riu um bocadinho do quão corado e irritado ele deveria estar mas que tentou não gozar muito pois ele estava a fazer um esforço enorme.
     Para Plutão, os seus sentimentos sempre estiveram escondidos, bem guardados num cofre. Ele sempre teve a sensação de que se falasse o que pensava realmente, mostrasse o seu afecto, iria afastar tudo e todos. O que ele sentia, a forma como lia as pessoas, mudavam-no de certa forma, preenchendo-o de pequenos pontos negros, viscosos e permanentes. Por isso, como Sol diz, ele é o Planeta irresponsável, em que se a situação tornar-se demasiado complicada, demasiado dolorosa, ou até boa para ser verdade, ele arranja maneira de estragar tudo e ir-se embora sem dizer nenhum adeus. Plutão prejudicou-se durante a sua longa vida.
      Até conhecer a Mel.
     Tudo o que ele fez, todas as asneiras, todas as rebeldias, todas as ruas que tomou, pareciam dar à Mel: filha da representação da Lua e de Mercúrio, Marte, a sua Tal e mãe da sua filha. Como ele tinha saudades dela! Só desejava poder falar com ela de novo, quando bem lhe entendesse. Tocar-lhe, beijar-lhe, ou, simplesmente, vê-la sorrir de novo. Mas ela só iria contactá-lo outra vez se algo de importante acontecesse ou estivesse para acontecer. Ou para certificar-se de que Plutão ia no caminho certo...
      E então Plutão desmaiou. As palavras que ele dissera fizeram sentido. Ela só iria contactá-lo outra vez se algo de importante acontecesse ou estivesse para acontecer. E assim foi: a sua alma foi levada para o Mundo da Lua e Mel esperava-o preocupadíssima.
- Mel?
- Plutão! - Mel correu para o seu Tal e abraçou-o. - Ainda bem que estás aqui. - Mel respirou fundo enquanto lágrimas lhe caiam pelo rosto.
- Mel, fala comigo, o que se passa?
- A mãe...
- Mondy. -
      Mel assentiu e afastou-se um pouco dos braços de Plutão para poder encará-lo.
- Ela está bem?
- Está. A Vénus cuidou muito bem dela, Mel - sorriu.
- Vénus? Ela voltou para nós? - Mel sorriu esperançosa.
- Eu não sei, Mel. Tu sabes que desde que tu, bem, morreste, ela nunca foi a mesma.
- Eu sei... Eu sei... Mas ela agora encontrou o amor. Ela encontrou alguém que irá sempre cuidar dela.
- Achas que Tema irá ser capaz de amá-la mesmo?
- Eles são o Tal um do outro. Se Tema conseguir amar alguém, será ela e apenas ela.
- Talvez tenhas razão.
     Mel limpou as lágrimas e abraçou-o. Plutão sorriu.
- Tenho saudades tuas.
- E eu tuas. -
     Mel sem avisar beijou os lábios do seu Tal. Tinha uma ansiedade dentro de si que desde do seu último beijo a deixou a pedir por mais. Ela tinha imensas saudades dele e de lhe roubar beijos.
     Plutão tinha saudades de ser roubado.
- Por muito que adore estar contigo, chamaste-me por algum motivo. Conta-me - e afastou-lhe o cabelo do rosto, pondo-o atrás da orelha.
- Não. Nada mesmo - Mel respirou fundo, como que a buscar forças para falar do próximo assunto. - Plutão, tu tens de contar à Luna o que aconteceu connosco e com Vénus.
- Estás a falar a sério?
- Estou.
      Mel afastou-se dele um pouco.
- Mel? Tens a certeza? A Luna e a Vénus já confraternizam pouco, então se a Luna vier a descobrir o que aconteceu...
- Absoluta. A Luna precisa disto para a sua confiança e para perceber de onde vem a frieza da Vénus. Isto só as pode unir.
- Tens a certeza, Mel? A Vénus que eu conheço agora... Ela já não é como tu a lembras e o Tal dela...
- Eu também a conheço, Plutão. Ela só irá atacar se sentir-se atacada. Vocês têm de parar de julgá-la pelo Tal que ela tem. Quando foste tu a ser julgado pelos meus pais, também não gostaste, pois não? - Plutão começou a percorrer o caminho pintado por Mel. Ele, de facto, não gostou de ser julgado. - A Vénus que eu conheço, ainda é a Vénus que tu conheces e ela irá iluminar a vida do Tema como fez com a minha e até com a tua, uma vez. A luz dela é forte. A Vénus só precisa de tempo e aceitação. Só isso.
     Plutão suspirou e com a mão livre mexeu no cabelo, a pensar no que Mel lhe dizia. Vénus era sua Irmã e ele devia-lhe uma segunda chance. Não queria contrariar a sua Mel, portanto deixou-se ir pelo caminho que ela lhe indicava porque ele confiava nela. Confiava nela com a sua vida.
- Tudo bem. Eu vou falar com a Luna sobre a Vénus.
     Mel sorriu. Plutão ao vê-la alegre de novo não conseguiu conter o sorriso.
- Garante que ela não fique com os pensamentos errados sobre ela. O que ela fez eu nunca irei esquecer mas eu sei o porquê, apesar de não ser desculpa - Sorriu e deu-lhe um último beijo. - Agora tenho de ir. Não posso ficar.
      Ele assentiu, agarrando com cada vez mais força na sua Tal, envolvendo-a com os seus braços. Não queria largá-la, não queria deixá-la ir de novo. Queria estar com ela desesperadamente. No entanto, Mel começou a desaparecer nos seus braços. O seu toque já quase não se sentia no peito dele e os seus olhos apenas brilhavam por causa das lágrimas que ela chorava.
      Plutão não teve tempo de chorar ou sucumbir à dor: foi logo levado para o seu quarto onde só conseguia pensar no que tinha de dizer à sua filha.



Luna 



      A avó tinha acabado de acordar. O meu coração parecia que ia saltar do meu peito de vê-la bem e a sorrir de novo. Ela ainda estava cansada, obviamente, mas já tinha dormido muito. 
- Estou tão feliz por estares bem, avó - abracei-a.
     Ela abraçou-me, com cuidado, e calmamente disse:
- Eu também querida. Obrigada por estarem aqui comigo - sorriu a olhar para mim e para Sol.
- Volto já, Mondy - disse ele.
     Sol levantou-se e caminhou para o jardim. E depois lembrei-me: Vénus pediu-nos para a ir chamar quando a avó acordasse. Nem me designei a responder quando ela fizera a pergunta. Eu não confio nela nem um pouco. E lá por ter tratado da avó - o que é super estranho - não significa que tenha de lhe atribuir um prémio Nobel da Paz ou que fiquemos melhor amigas para sempre. Digo-lhe um obrigada porque estou, para sempre, agradecida, mas basta. Por agora, ao menos.
     Mercúrio, que estava na cozinha a preparar o almoço, trouxe da cozinha um cheiro divino quando se aproximou do sofá em que a avó estava deitada.
- Avó, não te dói as costas? Não te devíamos ter posto na cama?
- Está tudo bem, Luna. Não me dói nada a não ser onde Tema me feriu.
     Como o timing de Vénus é deveras conveniente, ela aparecera e ouvira as palavras de avó sobre o seu Tal. Vi os seus olhos guardarem a tristeza enquanto que o resto do seu rosto mostrava alegria por ver a avó acordada e a sorrir.
     Mercúrio quebrou o silêncio.
- O almoço está quase pronto. Sei que não sou o melhor cozinheiro mas acho que está ficar daqui - e demonstrou aquele sinal perto da orelha que os cozinheiros costumam fazer quando um prato está realmente bom.
     Sorrimos-lhe. A avó soltou um pequeno riso.
     Vénus aproximou-se e colocou o braço à volta da avó. Sol aproximou-se de mim.
- Sentes-te bem, Mondy? - sussurrou.
     Avó assentiu.
- Sim, obrigada Vénus.
     E brindou-a com um sorriso carinhoso e caloroso. Vénus retribui-lhe  o sorriso. As duas tinham as mãos agarradas, numa intimidade que eu jamais imaginaria entre elas.
     O meu pai desceu as escadas, com Percy logo atrás, e colocou logo os olhos em mim. Pareciam cansados e tristes. Tentei vagamente lembrar-me quando é que ele não parecia abatido e, sinceramente, não encontrei nenhum momento. Tenho andando um pouco preocupada com ele... Ele não me diz o que se passa, mas também não o quero pressionar.
- Luna, podemos falar um pouco?
- Sim.
- Quando quiseres, vem ter comigo ao jardim, está bem?
- Sim, vou já.
     Persifal parou pela sala, deu uma volta como se estivesse à procura de alguém e em seguida saiu pela porta entreaberta para o jardim, seguindo o meu pai.
     Dei um beijo na testa da avó.
- Venho já, está bem? -
     A avó assentiu e sorriu-me.
     Segui o caminho do meu pai e sentei-me no sofá do alpendre, ao lado dele, com Percy no colo.
- Está tudo bem?
     O pai encarou-me e ignorou completamente a minha questão. No seu olhar carregado consegui encontrar alguma alegria.
- Estive com a Mel há bocado, Luna. Com a mãe. E ela disse-me que preciso de te contar o que se passou entre nós e Vénus.
     Primeiro fiquei presa nas palavras Mel e mãe e depois raciocinei o que o meu pai acabou de dizer.
- Nós?
- Sim. - Assentiu. - Mercúrio, eu, a tua mãe, Mondy e tu.
- Está bem -
     Fiquei surpreendida por ele me incluir, mas não lhe fiz questões. Deixei-o continuar.
- Então, como já te tinha dito, a Vénus apareceu cá pela primeira vez, um ano antes de tu nasceres, 4 de Junho de 1990. Nesse ano a relação da Mondy e do Mercúrio começou a mudar. A Mondy afastava-o muito e começou a achar melhor separarem-se. Nessa altura, a Vénus apareceu para visitar o Mercúrio na esperança de conseguir persuadir a Mondy. Claramente, não resultou, como sabes. A Mel conheceu-a nesse mesmo dia e algo nelas as fez ficar muito amigas. Vénus confiava tudo a Mel e vice-versa. - Fez uma pausa. Riu-se. - Ás vezes até tinha ciúmes da Vénus.
- Porquê? - sorri.
      Percy miou do meu colo obrigando-me a dar-lhe festinhas.
- Porque achava que a tua mãe contava-lhe coisas que a mim não contava. Pensava que ela não confiava assim tanto em mim por, naquela altura, ser um arranja-problemas e muito impulsivo. Não que agora não seja, mas eu compreendi como devo ser agora. Por tua causa. - Continuou. - A Mondy ao inicio detestava-me. Talvez porque ela pensava que eu era má companhia para a Mel. Mas a Vénus que fez com que ela me aceitasse. - Abanou a cabeça. - Não sei o que ela fez, mas resultou.
- Mas, calma. - Fiz uma pausa para raciocinar. - Se a Vénus era assim tão amiga, e simpática e tudo o que há de bom no mundo, porque é que vocês se chatearam todos? O que ela fez de errado?
- Eu não disse que a Vénus era uma santa. No entanto, ela não era assim: fria e reservada. O que aconteceu foi a morte da tua mãe, Luna. Como eu te disse, a Mel e a Vénus eram tão amigas que se podiam chamar de irmãs. Não de sangue, mas por afinidade. E então quando a Mel partiu, a Vénus ficou de luto muito tempo. Sempre que tentávamos falar com ela sobre isto, ela fechava-se mais e discutia muito connosco. - O seu sobrolho ficou carregado como se uma dor de cabeça estivesse a formar-me por causa de memórias tão más. - Houve um dia em que não fora apenas uma discussão. Eu não estava lá, mas consegui reviver a cena que se passou pela alma da Vénus. - Fitou-me. - A tua avó e o Mercúrio tentaram falar com ela. A Vénus estava especialmente triste nesse dia. Iria fazer um mês desde a morte da tua mãe. Os dois tentaram conversar com ela e tu... Vénus atacou-te, Luna.
- Como assim, atacou-me?
- Ela descontrolou-se, lançou o melhor ataque que conseguia em ti porque tu eras o ponto fraco dos teus avós, e dessa forma, se ela ameaçasse magoar-te, eles a deixariam em paz. Só que os teus avós queriam ajudá-la e, por isso, ela atacou-te.
- Mas nesse caso, não era suposto estar, bem, ah, morta? - Arrepiei-me. Persifal aninhou-se a mim como que a confortar-me.
- Sim, mas tu conseguiste proteger-te, Luna. A tua marca brilhou e um escudo se envolveu em teu redor.
     Os meus olhos abriram-se em choque. Eu sou assim tão poderosa?
     E a Vénus... A dor em que ela estava parecia-me familiar. Parecia que a percebia melhor agora. Sentia alguma compaixão por ela, pela mágoa que ela sentiu, pela saudade que ela tem da minha mãe. Isso pareceu apagar a sua tentativa de me matar. Se ela quisesse ver-me realmente morta, tenho a certeza de que já não estava neste Planeta para contar a história.
- Estou oficialmente chocada.
- Com as tuas habilidades ou a raiva da Vénus?
- As duas. Mas há que admitir que eu fui um bebé bem porreiro.
- O bebé mais poderoso de todos - brincou.
      Rimos-nos.
- Mas continua a história.
- Então, depois de ela te atacar, a Mondy foi ter contigo e levou-te para outro quarto. O Mercúrio atacou-a de volta e Vénus voltou a si. Percebeu-se do que fez mas não mostrou arrependimento. Mostrou raiva e amargura. Depois, ele obrigou-a a sair desta casa e desde até ela voltar há um mês e pouco que não sabíamos dela. Eu, pelo menos, não sabia nada dela. -
     O meu pai começou a dar festinhas no Percy.
     O que perguntei a seguir surpreendeu-me mais a mim do que a ele.
- Nessa altura já me tinhas abandonado, não é?
- Infelizmente, sim. Não fui o pai que deveria ter sido, Luna. Deveria ter-te protegido e peço desculpa por te ter falhado.
- Acho que provei que consigo cuidar de mim mesma.
- Sim, mas eu devia ter lá estado, ao teu lado.
- Tenho-te agora. Podes proteger-me agora. E isso é o que interessa.
     Ele abraçou-me.
- Agora e sempre.
- Agora e sempre. - Repeti enquanto o abraçava com cuidado para não magoar o gatinho deitado no meu colo.

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