I Love You #43



Luna 



- Então, a Lua apareceu e disse-te que tinhas de o proteger? - Mercúrio olhou-me confuso.
- Sim. Não me disse o quê nem quem nem quando. Apenas disse, em tom preocupado, que tinha de o proteger e que ele tinha de viver. - Encolhi os ombros.  
- Cá para mim ela se refere ao gato.
     Fitei-o confusa.
- Tu sabes, o Persifal - encolheu os ombros.
      Lancei-lhe um olhar que dizia "o que raio estás para aí a dizer?"
- Não podes contar nada disto à avó, está bem? 
- Não lhe vou contar assim do nada, mas se ela me perguntar eu digo-lhe a verdade. 
- Nope. Não. 
- Luna - fitou-me - eu acabei de recuperar a Ligação com a Mondy. Não vou mentir-lhe. 
     Cruzei os braços. 
- Vocês tinham logo de ficar bem quando tens um segredo a esconder - suspirei. 
     Mercúrio lançou-me um olhar bem repreensor. Revirei os olhos.  
- Ouve, desculpa, está bem? Mas a avó não pode saber disto. Ela ainda está a recuperar do ataque que sofreu do Tema há nem uma semana e depois tu enlouqueceste e isto é demasiado para a camioneta dela. Francamente, é demasiado para a minha camioneta também. Só não quero que ela se preocupe mais do que é necessário. 
      Ele passou a mão pela cara e ficou a matutar no assunto. 
- Vais dizer-me o que se passa nessa cabeça loira barra ruiva? 
     Mercúrio riu-se.
- Parecias a Vénus. 
     Os meus olhos aumentaram ligeiramente àquela comparação. Ignorei-a completamente.
- Então, como eu te disse, não vou contar-lhe o teu segredo, mas se ela perguntar-me ou desconfiar de algo, eu não vou esconder isto dela. Estamos entendidos?
     O tom de voz dele não correspondia ao seu aspecto e fez-me, pela primeira vez, encará-lo como meu avô e não um irmão mais velho. Sorri. 
- Percebi. 
- Estás a sorrir porquê? Não disse piada nenhuma. 
- Soaste mesmo como um avô, muito velho, muito autoritário e sábio, e não como um homem com cara de bebé. 
     Ele fez má cara e colocou o seu braço à volta dos meus ombros.
- Talvez seja a altura de pedir à Mondy um anti-rugas.
      Ri-me.
- Se a avó suspeitar que pensas que ela tem um anti-rugas podes dizer adeus à tua cara laroca.  





     Mercúrio e eu caminhámos até casa já depois do meio dia. Chegámos e todos já tinham almoçado. À entrada fui brindada com o miar de Persifal e o seu pedido de mimos. A avó não parou de olhar para mim e Mercúrio quando chegámos. Acho que ela sabe que contei-lhe algo que ela não deve saber. Mas fingi que estava tudo bem, que tínhamos só conversado sobre ontem. Espero que Mercúrio consiga esconder-lhe as coisas tempo suficiente para eu desvendar o mistério da Lua. 
     Sol apareceu na sala com uns calções verde seco e com o cabelo molhado, puxado para trás, e trazia um cheiro divinal. 
Ele baixou-se um pouquinho para me beijar a bochecha e então pude sentir o seu perfume a envolver-se com o meu corpo. 
- Hum, cheiras mesmo bem - coloquei a mão à volta do seu pescoço. 
     Ele respondeu-me com um beijo na bochecha e brindou-me com um sorriso. 
- Contaste-lhe? - sussurrou ele.
     Assenti discretamente.
- Ele vai falar com a Mondy, não vai? 
     Abanei a cabeça.
- Não. Só se a avó perguntar ou desconfiar de alguma coisa - murmurei.
     Sol colocou o seu braço nos meus ombros e fomos até à cozinha.  
- Ela ainda vai descobrir mais cedo do que pensas.
- Eu sei, mas não tenho alternativa. Quando soubermos de coisas concretas, contamos-lhe. 
- Resta saber quando é que iremos saber tais coisas. 
     Um Mais cedo do que vocês pensam pairou no ar e logo soubemos que Lua nos observava. Suspirei. Ela andava cheia de mistérios e eu não percebia nada do que se estava a passar. Estava tudo a ficar maluco. Outra vez.
      Persifal saltou dos meus braços para a tigela cheia comida e começou a comer. Dei-lhe uma festinha antes de ir para o jardim com Sol.
- Podíamos ir jantar fora hoje. O dia está agradável e a noite também deve ser.
- Hum, por mim tudo bem - respondeu ele.
     Parecia que nem me tinha ouvido.
     Sol beijou-me.
- Então vou-me arranjar - disse eu, tentando afastar-me da moleza dele.
- Ainda falta tanto tempo para o jantar. - Sol puxou-me pela mão e sentei-me no seu colo. Ele envolveu-me com as suas mãos e beijou-me delicadamente. - Fica mais um pouco. - Sussurrou.
      Abanei a cabeça e sorri-lhe.
- Até já.
- Nem penses que te escapas.
     Sol levantou-se e abraçou-me por trás por momentos. Lentamente, fomos para o quarto. Dirigi-me para a casa de banho e ele seguiu-me. Eu estava a dar-lhe sinais para ele vir comigo para o duche, mas sabia que se ele viesse, nem à hora de jantar estaríamos prontos. E então quando ele se aproximou para me beijar, abanei a cabeça enquanto dizia não, não não, e ele mostrou um sorriso que disse que não iríamos ficar por ali. 
    Ele instalou-se ao pé da porta da casa de banho, que estava fechada, e ficámos a conversar enquanto eu tomava o duche.
- Sol, podes ir perguntar se eles querem ir connosco?
Sol resmungou.
- Pensava que éramos só nós. Um jantar romântico e isso.
- Acho que toda a gente merece ir jantar fora, tendo em conta toda a loucura que se anda a passar, não achas?
- Pois... Sim, talvez. Tens razão.
Esgueirei a minha cabeça pela cortina entre nós e sorri.
- Então vai lá.
- Sim, senhora.
      Sol saiu da casa de banho a caminho da sala. Rapidamente acabei de lavar o meu longo cabelo e o corpo e deparei-me com o problema do que vestir.



Sol



      Luna dava com Sol em doido, num muito bom sentido. Ela provoca-o e isso agrada-lhe. Deixa-o viciado nela e no seu corpo, nos seus olhos, nos seus lábios. 
     Sol desceu as escadas e encostou-se à parede branca-amarelada que ficava paralela à poltrona da Luna e perpendicular ao set da televisão. Mondy e Mercúrio estavam sentados no sofá e lançaram-lhe olhares curiosos. Sol percorreu a sala com o olhar e não via sinal de Plutão. 
- Onde está o Plutão? 
     Mondy olhou para Mercúrio e ele respondeu-lhe: 
- Penso que foi dar uma volta lá fora.
     Sol suspirou. Que entusiasmo ir a correr atrás de Plutão. 
- Bem, eu e a Luna vamos jantar fora e ela quer que vocês nos acompanhem. 
     Mondy sorriu, de repente, muito animada.
- Claro, nós vamos! 
- Vamos? - Mercúrio demonstrou uma expressão aborrecida. 
- Sim, está decidido. - Mondy sorria mas o tom de voz era sério. 
- Muito bem, eu vou procurar Plutão. 
     Sol calçou os chinelos pretos e sem se preocupar com o tronco nu, saiu de casa e foi procurar o pai de Luna. Ultimamente, Sol tem reparado que ele anda muito em baixo apesar das piadas que ele dizia e do sorriso que trazia na cara todos os dias. Ele conhecia Plutão demasiado bem e sabia perfeitamente de onde vinha a sua tristeza. Também sabia aquela tristeza vinha para ficar, como uma doença sem cura. 
      Farto de andar, Sol começou a correr. Surpreendeu-se quando olhou para trás e viu a enorme distância que tinha percorrido. Tinha-se esquecido de como sabe bem correr.
      Não havia sinal de Plutão em lado nenhum. Sol começou a chamá-lo pela rua. Decidiu descer uma pequena escadaria que dava acesso a um parque. 
- Plutão! - Sol chamava repetidamente e não havia resposta. 
     Porém, ele viu um vulto no fundo do parque, estranhamente vazio, sentado num banco. Sol caminhou até ele e colocou a mão no seu ombro.
- Andei à tua procura por toda a parte. 
- Passa-se alguma coisa? - perguntou logo.
- Eu e a Luna... 
     Sol tombou no chão devido a uma dor no peito e sentiu um vazio no seu corpo a formar-se, mas sabia que não era ele. Era a Luna. Só podia ser a Luna. O vazio era cada vez mais forte, ele nem se conseguia mexer e estava ofegante. Luna estava a ter uma visão e não era nada como da última vez. Agora a dor assolava-o, não como antes, que apenas ficara com uma pequena dor no peito, no coração. Sol quase que tremia, mas controlou-se. Plutão encarava-o preocupado e confuso, com as mãos a tentarem alcançar uma sensação de conforto impossível naquela altura.
- Sol, o que se passa? - Plutão colocou as mãos nos ombros de Sol e obrigou-o a fitá-lo. 
- É a Luna... - disse ele a tentar controlar a respiração. - Tenho de me despachar. Tenho de ir... 
     O Tal de Luna levantou-se, respirou fundo e, aos tropeções, correu de volta a casa. O que quer que Luna esteja a ver, está a perturbá-la, e muito.
      A corrida parecia não terminar e quando finalmente chegou a casa, Sol subiu as escadas e abriu a porta do quarto de rajada. Ofegante, Sol disse o nome da sua Tal que estava caída no chão, com uma toalha branca à volta do corpo.
- Luna, acorda. Acorda!
      A exclamação de Sol foi como um rugido, no entanto, não fez Luna despertar.
     Das sombras, um riso cortante se fez ouvir. Pensou que fosse Tema, mas assim que prestou atenção ele conseguiu ver-lhe o rosto. 
- Sabes, ela afinal não é tão forte quanto dizem. 
     Sol colocou Luna na cama e encarou o tal homem. 
- O que é que lhe fizeste, Urano? 
- Eu? Eu nem lhe toquei. - Urano colocou as mãos no ar. - Quando cá cheguei ela estava a olhar para a janela com os olhos brancos e parecia um bocadinho perturbada, de facto. Mas depois ela caiu no chão e tu apareceste todo preocupado.  
      Sol absorveu qualquer raiva que poderia querer sair de si de maneira errada, respirou fundo e fechou as mãos em punho. 
- O que estás aqui a fazer? 
     Urano ia contar outra história até que Plutão, seguido de Mercúrio e Mondy apareceram no quarto. 
- Urano? - Plutão perguntou incrédulo. 
- O quê? Urano? - Mercúrio sussurrou tão baixinho que ele quase que não o ouviu. 
- Irmãos. Que bom ver-vos!
     O Planeta saiu das sombras de braços abertos. 
     Plutão parou-o e lançou-lhe um olhar sério. 
- O que estás aqui a fazer, Urano? -
     Plutão manteve o olhar repreensor em Urano até que viu Luna deitada na cama. Sol pode ver a mudança de olhar dele: passou de sério, repreensivo e chateado, para triste, preocupado e irritado. Ele caminhou até Luna e passou-lhe a mão pela face. Antes de perder a paciência com Urano, Plutão acariciou o rosto da sua filha e afastou uma mecha de cabelo molhado da sua cara. 
- Eu não vou tolerar as tuas brincadeiras aqui, Urano! Eu espero bem que não tenhas nada a ver com o estado da Luna, porque se não, eu juro que te vou fazer arrepender de ter descido à Terra! -
     Feroz, irritado e poderoso seriam as características que Sol atribuiria ao tom de voz de Plutão. 
     Urano era ainda pior que Plutão, em termos de responsabilidade. Urano sempre foi um brincalhão, o palhaço do grupo. Nunca teve de se preocupar com nada e levava a vida dele de maneiras arriscadas. E tirava Sol do sério quando ele tratava assuntos sérios como uma das suas brincadeiras.
     Urano recompôs-se. 
- Tens de ter calma, maninho - deu uma leve palmadinha no ombro de Plutão e sorriu. - Eu não fiz nada à tua querida filha. 
- Então estás aqui a fazer o quê? - Mondy que antes nada dissera, perguntou, claramente preocupada e irritada. 
- Vim dar-vos um recado.
- Por parte de quem? - foi a vez de Mercúrio falar.
- Do Juju e do Neptuno.
- O que é que eles querem? - Sol perguntou.
- Eles descobriram a arma secreta do Tema.
- Arma secreta? - Luna falou enquanto se sentava na cama. Sol nunca esteve tão aliviado na vida por vê-la bem.



Luna



- Oh Luna - Sol aproximou-se e abraçou-me.
- O que se passa aqui? - perguntei. A minha voz soou mais fraca do que imaginava.
- Conta-nos tu.
     Não estava a perceber nada do que se estava a passar. Só me lembro de dizer ao Sol para ir perguntar à avó, ao Mercúrio e ao pai se queriam ir jantar connosco e de repente vi tudo turvo.
     Assim que a minha vista voltou ao normal, dei de caras com um estranho no meu quarto e aposto que fiquei corada porque eu tinha apenas uma toalha branca à minha volta.
- Quem é aquele?
- Urano. Mas está de saída.
      Ok. O que é que Urano está a fazer no meu quarto?
- Ainda não - disse a avó - Ele tem de acabar de nos dizer o recado. 
     Sol levantou-se e deu lugar para o meu pai se sentar e abraçar-me.
- Pregaste-me um susto - sussurrou-me.
- Desculpa.
      Ele abraçou-me forte e depois deu-me espaço para me ajeitar na cama. Peguei no roupão que estava no fundo da cama e vesti-o.
- Conta-nos - Sol ordenou.
      Nunca o tinha visto tão irritado desde que me envolvi com Tema...
     Obriguei-me a esquecer esse assunto e tomei atenção em Urano. Ele fechou as mãos em concha e depois de proferir palavras em alguma linguagem, que para mim era desconhecida, abriu as mãos e o busto de dois homens apareceram. Um deles tinha barba completa loira, não muito grande, cabelo também loiro até aos ombros e olhos azuis como o céu limpo. O homem ao seu lado também era moreno mas o corte de cabelo era mais curto junto ao pescoço e no cima da cabeça começavam a formar caracóis. A cor dos seus olhos era azul-marinho e no seu rosto trazia uma barba morena menos densa que o outro homem. Eles pareciam, de facto, irmãos.
- Júpiter. Neptuno - Sol saudou-os.
- Sol - disse Neptuno e sorriu.
     O pai e Mercúrio aproximaram-se de Sol para poderem ver os seus irmãos. Tive de mudar de lugar na cama porque se não perdia a ação toda. Eles fizeram uma barreira em volta de Urano e eu não conseguia ver nada do que se estava a passar. Levantei-me e coloquei-me ao lado de Sol. Estava um bocadinho tonta mas rapidamente passou. Eles cumprimentaram-nos e começaram a falar.
- Desde que caíste na Terra que começámos a investigar o Tema - começou Neptuno. A sua voz era forte e poderosa.
- E passado algum tempo descobrimos que ele planeia construir uma Arma Secreta - continuou Júpiter. O tom de voz dele não era tão grave como a de Neptuno, no entanto, não deixava de ser poderosa, forte e respeitadora.
- Essa Arma Secreta tem como um dos constituintes a Pedra Kutsal de Marte. Esta Pedra pode intensificar o poder dele em valores infinitos.
- Se ele tem esta Pedra, Sol, não há nada que tu ou a tua protetora possam fazer. Que nós, possamos fazer.
      A minha garganta secou, o meu coração parou. O medo atingiu-me. Ver os Planetas renderem-se à ideia daquela Arma Secreta fez as minhas esperanças caírem a uma velocidade estonteante. Por momentos, deixei de saber porque é que continuava a tentar.
- Se? Então não têm a certeza de que ele possui tal pedra.
     O meu pai não perguntou, mas Neptuno respondeu.
- Não temos a certeza, Plutão. Mas só de ele saber da existência desta Pedra é um grande estorvo.
- E então como fazemos para termos a certeza que ele não tem a Pedra? - Perguntei.
      Júpiter começou - Podes simplesmente perguntar-lhe. Se duvidares da sua resposta, podes invadir a casa dele e descobrir a localização da Pedra.
      Neptuno acrescentou - Caso ele não tenha a Pedra, vocês não podem deixar que ele a conquiste.
- Estás a sugerir que vamos a Marte? - O pai perguntou e parecia mal disposto, chateado.
- Sim, Plutão, estou. Vocês têm de ter essa Pedra, custe o que custar.
      O meu pai virou a cara para outro lado como se lhe tivessem dado uma bofetada. Acho que ir ao planeta que outrora foi a minha mãe magoava-o demasiado.
- Bem, o nosso recado foi dado. Espero ver-vos em breve, sãos e salvos - disse Neptuno.
- Até uma próxima - terminou Júpiter.
      Urano fechou as mãos em concha e quando as separou nenhuma imagem tornou a aparecer. A magia tinha-se dissipado do quarto.
- Gostava muito de ficar, colocar a conversa em dia e provar da vossa comida mas tenho que ir. Até mais, amores - e com esta deixa, Urano desapareceu do quarto numa luz roxa.
- Bem, isto foi interessante - Mercúrio suspirou.
- Querida, estás bem?
     A avó aproximou-se de mim. Colocou uma mão quente no meu rosto e outro no meu ombro.
- Sim, avó, está tudo - sorri. - Não te preocupes.
- Tens a certeza? É que desmaiar do nada não é normal, Luna.
- Está tudo bem. Eu não almocei, deve ter sido por isso - menti.
- Então vou fazer-te um lanchinho. Deita-te na cama que já te trago um lanche.
     Não consegui recusar-lhe e fui para a cama. O meu pai veio ter comigo e disse que se precisasse de alguma coisa que o chamasse. Mercúrio disse-me para descansar e lançou-me um olhar. Soube logo que ele queria um relato do que aconteceu. Por fim, fiquei sozinha com Sol.
- Vais-me contar tudo o que viste, Luna - ele não me encarava e estava de pé um pouco longe da cama.
- Eu... Eu não tenho a certeza, Sol. Não sei bem o que vi.
      Ele fitou-me.
- Não faz mal. Conta-me o que te lembrares.
      Sol parecia chateado. Eu não percebia porquê... Mas fiz o que ele disse. Concentrei-me na visão, fechei os olhos e fui-lhe contando o que me lembrava.
- Bem, eu estava num lugar meio que em ruínas. Subterrâneo. Havia vegetação por toda a parte... Plantas por todo o lado, a apoderarem-se das colunas, das paredes... Tu estavas lá. Estavam lá mais pessoas... Não sei bem quem. Talvez a avó, Mercúrio? Não sei... - Franzi o sobrolho. - Tema algures... - não conseguia lembrar-me bem onde o tinha visto. - Estávamos noutro cenário - disse, enquanto a visão se desenrolava - ele tinha qualquer coisa brilhante nas mãos e Vénus estava desmaiada no chão. Tema atacou-te, Sol - senti o calor de Sol perto de mim. Senti a sua mão na minha. - Não consegui defender-te Sol, eu paralisei. Eu não...
- Hey. Abre os olhos
     Abri-os. Ele tinha o rosto muito perto do meu, os seus olhos fixos nos meus.
- Estou aqui. Nada de mal vai acontecer-te.
- Mas vai acontecer-te a ti, Sol. Eu vi.
- É um futuro possível a acontecer. Podemos fazer outro futuro - ele abraçou-me. - Fiquei tão assustado Luna. Senti um vazio e uma dor no peito... Senti-te a sofrer. - ele abanava a cabeça, ainda abraçado a mim. - Senti-me a perder-te.
     Afastei-me só um pouco para poder encará-lo e colocar as mãos no seu rosto. Ele estava com o sobrolho franzido, de cabisbaixo e com os olhos fechados. Parecia derrotado. E isso despertou  algo novo em mim. Uma força, uma coragem que parecia inabalável.
- Sol, olha para mim - ele relaxou o olhar e fitou-me. - Eu estou aqui - agarrei as mãos dele fortemente. - Não vou a lado nenhum sem ti. Nunca - pousei a minha testa na dele.
      Sol colocou a sua mão no meu rosto e fitou-me.
- Eu amo-te, Luna - disse.
      As suas palavras foram como uma onda que lavaram todas as sombras à nossa volta. De certa forma, elas não me pareciam estranhas. Parecia que já as tinha ouvido. A verdade é que as senti sempre que ele se colocava ao meu lado, pegava-me na mão, trocava um olhar ou um sorriso comigo. Mas ouvi-las, era algo completamente novo. Nunca as tinha ouvido a serem ditas a mim, daquela forma, naquele sentido, com tanto sentimento e entrega. E eu correspondia isso tudo.
- Eu também te amo, muito.
      Sol sorriu, pousou a sua testa na minha depois de a beijar. Deitámos-nos na cama, a fazer carícias um no outro, envolvidos em nada a não ser amor. Deixei-me levar pelo calor dele e todos os pensamentos negativos que insistiam em nascer na minha cabeça queimaram-se. Depois a avó chegou com um tabuleiro com comida e eu lembrei-me que ela vivia cega numa mentira minha. 

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