The Kutsal Stone #51

 

Tema



     A noite passou e Tema tinha caído no sono, assim como Noir. Não havia nenhuma luminosidade. Estavam no escuro, apenas com as estrelas do Universo a cintilarem para lá da arcada. 
     Assim que apareceu o primeiro raio de luz, Tema despertou. Começou a andar às voltas à procura de respostas, oportunidades ou poder para sair dali. Noir levantou-se e obrigou-o a parar por um segundo. Eles estavam carentes de água e comida. Mas não era a primeira vez que tinham estado naquelas condições.
- Não podes gastar assim a tua energia - disse Noir um pouco rouco.
- Eu tenho de fazer algo. Não podemos ficar aqui - suspirou. - Tu tens essa ferida enorme o que significa que temos mesmo de sair daqui. 
- Iremos arranjar uma maneira - Noir colocou uma mão no ombro de Tema e usou a parede de forças como encosto. 
     As horas iam passando, Tema e Noir iam ficando mais fracos. A pouca esperança de Tema desaparecia a cada segundo. No entanto, o destino ainda tinha mais alguns motivos para ajudá-lo.
     Os portões que pareciam ser impossíveis de abrir começaram a ceder. As portas lentamente se abriam e os cantos daquela sala começaram a ruir com pequenos fragmentos a caírem à medida que elas se mexiam.
- Acho que estou a alucinar mas os portões estão a abrir? 
     Tema esboçou um sorriso excitante.
- Acho que estamos os dois a alucinar mas vamos - Tema pegou em Noir e foram para a sala seguinte. 
- Tenho quase noventa por cento de certeza que morremos - afirmou Noir. 
     A pintura à frente deles era realmente de outro mundo. A sala é idêntica àquela em que eles estavam presos só que tinha trepadeiras a enfeitar as paredes com flores que escondiam frutos no seu interior. No meio da sala existia uma fonte de água límpida de dois níveis e no topo residia uma pequena estátua de um homem e uma mulher de onde a água caia das suas mãos para o resto da fonte. Assim que eles entraram, os portões fecharam-se, selando-os lá dentro com um estrondo. Mas o que despertou a atenção de Tema não foi estas regalias mas sim o pequeno brilho que quase o cegava vindo do centro do teto da sala. 
     Tema soltou pequenas gargalhadas abafadas
- A Pedra... A Pedra! 
- O que estás para aí a dizer?
     Durante os segundos em que Tema esteve atento à pedra escarlate, Noir desmaiou.
- Merda - murmurou ele indo de encontro ao amigo deitado no chão. 
     Tema levou Noir para junto da fonte e limpou-lhe a ferida mais uma vez. Depois foi buscar frutas. Saciou um pouco da fome e assim que Noir despertou deu-lhe algo para comer e beber.
- Do que estás à espera? Não vim aqui só para ganhar uma cicatriz que atravessa o meu peito. 
     Tema sorriu-lhe
- Não sei do que estou à espera, parece que algo me impede de a ir buscar. Mas eu quero aquela Pedra, oh, se quero. 
- Então? É preciso um aleijado fazer tudo por ti? - Noir gozou. Deu uma leve palmada na perna do Tema. - Vai lá antes que fique com a Pedra só para mim. 
     A Estrela levantou e colocou-se debaixo do local exato da Pedra. Realmente, algo o impedia de se levantar no ar e pegar naquela preciosidade avermelhada, que lá no fundo, o fazia lembrar dos olhos de Vénus - preciosos e vermelhos - porém, ele saltou e no ar ficou. Subia e subia até a sua mão tocar na Pedra. Era fria e dura mas também frágil. Tema agarrou nela e pedra soltou uma carga de energia avassaladora. Ele tombou no chão e desmaiou.  




Vénus 



- Sol, vamos! 
- Calma - disse Sol, calmo, a colocar as calças de ganga. 
- Importaste de fazer isso noutro sítio? - reclamou Vénus à espera do outro lado do arbusto.
- Não é nada que nunca tenhas visto, Vi - Sol riu-se. - E já estou pronto - ele passou as mãos pela água do rio e elas secaram-se no segundo seguinte. - Leva-me lá a essa sala com um escudo protetor. 
- Finalmente - suspirou ela. 
     Vénus liderou o caminho e Sol seguia-a enquanto comia um pêssego - o fruto favorito da Mel. Quando chegaram ao parapeito da sala, Sol tocou na parede de forças que impediam entradas ou saídas. 
- Hum - murmurou ele. - É muito poderoso, realmente. 
- Pois é. A Mel de certeza que não queria que alguém passasse para lá ou saísse - Concluiu. - Mas estive a pensar e... 
     Sol interrompeu-a
- Bem, isso é uma primeira vez. 
     Vénus lançou-lhe um olhar cortante. Sol colocou as mãos no ar em tréguas - Continua.
- Como estava a dizer, estive a pensar e lembrei-me duma coisa que a Mel uma vez me disse:

"- Um dia vais precisar de mim e eu não estarei presente. Pelo menos não inteiramente. Portanto quero que fiques com isto.
- O que é isto Mel? E o que queres dizer com não estarei presente? 
- É a chave para abrir ou fechar, esconder ou encontrar...   

- E o que é isso que ela te deu? É mesmo uma chave? 
- Não. Isto - Vénus tirou a bracelete da parte de cima do braço. A bracelete era acobreada e unia duas pequenas espirais de onde surgia uma esfera do tamanho de uma pérola vermelha por cima. 
- E isso vai ajudar-nos como...Wow!
     Uma luz impressionante surgiu através da bracelete fazendo com que a parede de forças se destruísse como estilhaços de vidro. Sol tapou os olhos com o antebraço e deixou cair o pêssego. 
- Agarra na minha mão! - Gritou Vénus. 
- O quê? - Sol não a tinha ouvido.
     Ela agarrou na mão de Sol e eles foram transportados para a sala onde, até não muito tempo atrás, residia Tema e Noir. Uma vez dentro da sala, ambos recuperaram o fôlego. Vénus ajeitou o cabelo e vestido.
-  Acho que para lá daqueles portões está a Pedra.
- E como passamos estes portões? 
     Vénus caminhou até às grandes portas e usou a bracelete. 
- Ela deve achar que quero ficar cego... - Sol avançou até ela tapando os olhos com o antebraço. 

     Quando os portões se abriram, Vénus não queria acreditar nos seus olhos. Os seus sentimentos misturaram-se. Saudade e raiva, amor e ódio, tristeza e alegria. Ela queria mexer-se mas o seu corpo estava hirto. Viu um brilho vermelho no tecto e foi como se acordasse. A Pedra.
     Vénus correu até ao seu Tal sem dar sequer atenção ao rapaz ao lado dele.
- Tema... Tema acorda. Acorda!
     Ela acariciou o rosto dele, tentando fazê-lo acordar mas em vão. 
- Esperem, aquilo é a Pedra? 
- Oh não... - Noir disse baixinho, desorientado. 
- Quem és tu? - perguntou Sol ao aproximar-se. 
- Pela tua marca, deves ser o Sol - disse Noir. 
- O que aconteceu? - Vénus interrompeu a conversa deles. 
- Depende do que queres ouvir - Noir  esboçou um sorriso atrevido. 
     Vénus e Sol fitaram-se. Ele caminhou até Noir pronto para fazer o que fosse preciso para o fazer falar. Mas então Tema acordou. 
- Vénus? 
     Ela abraçou-o como nunca antes. Esqueceu-se de tudo o que se tinha colocado entre eles, rendendo-se ao sentimento que nutria por ele. 
- Pensava que tinhas... - Vénus abanou a cabeça de modo a afastar tal ideia. - Estás bem, nãos estás? É só isso que interessa. 
     Tema abraçou-a de volta com força. 
- Estou tão feliz por te ver - sorriu. - Desculpa-me, Vénus. 
     E de súbito, Vénus lembrou-se do porquê disto tudo. Tema ia roubar a Pedra da Mel para matar a sua família. Vénus afastou-o brutalmente e levantou-se.
- Vénus?
-  Ainda queres roubar a Pedra da minha irmã, Tema? 
     Ele desviou o seu olhar, passou a mão pelo cabelo e ficou com um semblante carregado. Vénus riu-se sem qualquer vestígio de humor. 
- É claro. É óbvio que queres... - ela colocou a mão na testa. - Eu sou mesmo burra...
- Vénus, tu... 
- Cala-te Tema! - Rugiu ela. 
      Tema levantou-se e fitou-a furioso. Ela retribui-lhe o olhar. 
- Se queres roubar a Pedra, tens de passar por mim primeiro. 
- Porque é que estás a fazer isto? 
- Não me dás outra hipótese - Vénus limpou a lágrima que caiu sem o seu consentimento e preparou-se para atacá-lo.
      Tema deu um passo em frente e Vénus lançou-lhe um ataque luminoso. Ele caiu mas depressa levantou-se. 
- Sol, pega a Pedra! - gritou ela.
     Sol preocupou-se em colocar um escudo quente em seu redor e estava quase lá mas Tema atacou-o com a sua vil escuridão e ele caiu. Tema aprisionou Sol com gelo. Ao ver o verdadeiro eu do Tema, Vénus paralisou, fitando a sua Estrela caída em negrume e gelo - ela sabia que aquele ataque estava a enfraquecê-lo aos poucos. Vénus não se deu por vencida.
- Tema... - murmurou ela. 
- Desculpa, Vénus - Tema atacou Vénus com gelo e chamas azuis que se combinaram num poderoso assalto.
     Vénus contra-atacou ao mesmo tempo com um ataque cheio de luz e ondas de calor que contrastaram às do seu Tal de tal maneira, que ambos foram enviados para cantos opostos. Ela bateu com a cabeça e ele levantou-se instantes depois. 




Luna 



     Depois de caminharmos por horas e horas, finalmente vimos a luz ao fundo do túnel. Literalmente.  No entanto, não encontrei a vista que queria: era a minha visão. A minha visão aconteceu. Vénus estava desmaiada no chão, Sol atacado por Tema e ele tinha a Pedra. 
- Tenho muita pena em não poder ficar mais tempo, mas já tenho o que queria - Tema sorriu-me vitoriosamente e desapareceu, juntamente com um rapaz ferido, numa luz azul. 
- Não! - ouvi o meu pai exclamar.
     Corri em direção ao Sol. Com a Água retirei o gelo que o prendia. 
- Luna - sorriu e colocou a mão no meu rosto. - Finalmente. 
- Estás bem, Sol?
      Ele assentiu levemente.
     Abracei-o fortemente e em seguida afastei-o um pouco para conseguirmos falar. 
-  Mas o que aconteceu? - olhei em volta e reparando no corpo adormecido de Vénus.
- Ele tem a Pedra, Luna. Perdemos.   

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